(Foto: Félix Arruda)

Olá, querido leitor!!!
Espero que você e sua família estejam bem 🙂

Não sei você, mas eu tive a experiência de me corresponder com pessoas queridas, através de cartas. Como era gostoso tirar um tempo para escrever, pensar na pessoa recebendo sua carta e, não somente isto, a escolha do envelope, do papel e, depois de enviada, a espera pela resposta!!!
Digo que era gostoso, pois com o advento da internet, email, SMS, WhatsApp, vídeo-chamada e tantas outras coisas, essa prática de escrever cartas foi ficando cada vez mais esquecida… Imagino se essa meninada de hoje sabe o que é um remetente ou destinatário, selo, correio e, muito menos, se conseguiria aguardar pela resposta que poderia demorar dias, semanas… Em um mundo em que as pessoas sofrem de ansiedade por um WhatsApp que foi lido e ainda não respondido, que verificam as mensagens a cada segundo e desenvolvem distúrbios psiquiátricos com o uso abusivo do celular ou com a falta dele, certamente não sobreviveriam à espera de uma carta…

Cartas de amor, de saudade, amizade, cartas de boas notícias, com mensagens de esperança…, como receber uma carta dessas tinha o poder de animar, motivar, encorajar; ainda tenho cartas guardadas com carinho, lembranças de momentos importantes da minha vida.

Sempre amei escrever cartas (escrever de um modo em geral), contar notícias, escrever sobre sentimentos, pensamentos, sonhos, enviar palavras de apoio, mas este é um tempo passado; creio que, atualmente, escrever no Blog e na página dele no facebook, desempenhe um papel semelhante e você, querido leitor, tornou-se o destinatário de minhas mensagens!!! Obrigada por você existir 🙂

 

A ideia do texto de hoje me veio à cabeça, ano passado, no exato momento em que recebi de um querido amigo, uma foto que tirou de uma paisagem vista atrás de uma grade, no pequeno paraíso onde mora (esta foto está no início deste post).

Assim que a vi, a primeira coisa que pensei foi uma pessoa na prisão, olhando para fora e vendo uma linda paisagem…, esta pessoa que me veio à mente foi o apóstolo Paulo.

Sabe-se, pelos relatos bíblicos, que Paulo foi preso algumas vezes por amor ao Evangelho e é óbvio que ele não via belas paisagens, nem nada de belo, nas condições insalubres de sua prisão mas, com os olhos espirituais e do seu coração, ele enxergava um mundo de amor e de esperança de lá de dentro e isto ele registrou, através de suas cartas…

Há uns dois meses, a vontade de escrever sobre isto foi ficando cada vez mais forte e cá estamos!!!

O apóstolo Paulo e suas Cartas são inspiradores para mim e creio que o serão para você também, querido leitor, então hoje, escrevo um pouquinho sobre esta Inspiração 🙂

Como eu poderia viver sem as cartas de Paulo?

As cartas de Paulo encontram-se na Bíblia, no Novo Testamento, são em número de 13 (alguns autores não consideram Hebreus como uma carta dele, outros sim, mas tudo bem). Dessas, 4 foram escritas na prisão em Roma, sendo conhecidas como Cartas da Prisão, são elas: Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemon.

Amo as cartas de Paulo, não sei como eu e os demais cristãos viveríamos sem elas, pois, divinamente inspiradas, como todas as Sagradas Escrituras (2 Tm 3:16), nos ensinam a viver em Cristo, a praticar os ensinamentos de Jesus em todas as áreas de nossa vida.

Todos os escritos de Paulo me encantam, mas os de dentro da prisão são ainda mais fascinantes: tanto amor, fé, esperança, humildade, bondade e gratidão sendo gerados em um local tão insalubre e de tanto sofrimento, enquanto tantos, que se dizem cristãos, por muito pouco, blasfemam contra Deus, reclamam e murmuram… Paulo, assim como as ostras, formava pérolas de sua dor…

Quem foi esse homem que, de dentro da prisão, escreveu que havia aprendido o segredo de viver contente???

Se você não conhece Paulo, o livro de Atos dos Apóstolos, escrito por seu grande e inseparável amigo Lucas, o único que não o abandonou (2 Tm 4:11), o “médico amado” (Cl 4:14), o mesmo escritor de um dos 4 Evangelhos de Jesus Cristo (mesmo sem ter caminhado com ele, como os 12 discípulos) nos ajuda a conhecer um pouco sobre este homem.

Paulo (também chamado Saulo), era judeu, nascido em Tarso, cidadão romano (título adquirido no nascimento), fariseu, criado em Jerusalém aos pés de Gamaliel (seu professor, importante rabino e Doutor da Lei, na época), fazedor de tendas.

Perseguidor implacável dos seguidores de Jesus, consentiu na morte de Estêvão (primeiro mártir da igreja cristã), espalhando o terror contra toda a igreja.

“E Saulo assolava a igreja, entrando pelas casas; e, arrastando homens e mulheres, os encerrava na prisão” (At 8:3).

Saulo respirava ameças e mortes contra os discípulos de Cristo (At 9:1) até o dia em que foi encontrado por Jesus, no caminho para a cidade de Damasco, local para onde se dirigia a fim de prender os cristãos que, nesse momento, ainda nem se chamavam assim.

“E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
E ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.
E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.
E Saulo levantou-se da terra, e, abrindo os olhos, não via a ninguém. E, guiando-o pela mão, o conduziram a Damasco.
E esteve três dias sem ver, e não comeu nem bebeu” (At 9:3-9)

Sabe aquela transformação que a gente sofre após ter sido encontrado por Jesus? Porque é IMPOSSÍVEL permanecer da mesma forma, após ter tido um encontro verdadeiro com ele…, então, foi esta transformação total que Saulo sofreu.

Costumo dizer que estes 3 dias que Saulo ficou sem enxergar, sem comer e beber, foi seu período de morte e renascimento, em que morre a velha criatura e renasce um novo homem, com uma nova identidade, até o nome ele passou a usar Paulo, após sua conversão (At 13:9). Algumas pessoas  na Bíblia também tiveram seus nomes mudados, após assumirem sua verdadeira condição em Deus, exemplo: Abrão para Abraão, Jacó para Israel, etc.

Após sua conversão, Paulo logo passou a pregar sobre Jesus nas sinagogas (At 9:20), a falar ousadamente no nome dele (At 9:27) aos judeus e gentios (não judeus), gerando medo e desconfiança entre os próprios seguidores de Cristo (At 9:26), uma vez que, há bem pouco tempo eram perseguidos por ele e também gerando inveja (At 13:45, 17:5) nos judeus que, por toda parte, buscavam matá-lo (At 9:23).

Então, Paulo passa de perseguidor de cristãos a um perseguido; sofreu violência, açoites, prisões e naufrágio, em função de seu amor pelo Evangelho e de sua missão: levar as boas novas de Cristo também aos gentios, como disse o Senhor:

“Este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.
E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome” (At 9:15-16)

Paulo era um homem diligente, disciplinado, comprometido, apaixonado e essas características pessoais, após sua conversão, foram utilizadas para o Reino de Deus, pois é assim que acontece conosco; as habilidades, dons e talentos que possuímos, após nosso encontro com Jesus, passam a ser usadas para levar sua mensagem de amor, fé, esperança e salvação para o mundo!!! (ou pelo menos, deveria…).

Paulo era motivador, inspirador, encorajador…

Deixou um legado para a Humanidade, difundindo o Evangelho pelo mundo, mesmo não tendo caminhado com Cristo (como os 12 discípulos): mais da metade do Novo Testamento foi escrita por ele. Não perdia uma oportunidade para falar sobre Jesus; as sementes do Cristianismo plantadas por ele, incluindo suas 3 viagens missionárias e ajuda de alguns amigos, como o amado Lucas, frutificaram pelo mundo e continuam a dar frutos em todo àquele que permitir.

Paulo, consciente de qual era seu Propósito de vida, não perdia tempo, não se importava com o lugar em que se encontrava, trabalhava naquilo que era sua missão: difundir o Evangelho de Cristo.
Diferente de tantos de nós, ele não procrastinava, não esperava que o “momento ideal” surgisse para poder agir, atingir seus objetivos, por isso não deixou de trabalhar, mesmo estando preso.

A atuação de Paulo na prisão é a clara demonstração de que, quando o ramo está firmado na videira, (que é Cristo) não importa onde esta esteja plantada, sempre dará frutos!!!

Ele não se dispersava, não perdia o foco, sabia onde queria chegar, qual era sua missão e não deixava nada o deter: nem cadeias, nem pensamentos, nem sentimentos ou emoções, nem lembranças e, acima de tudo, era um exemplo de pessoa resiliente – possuía grande capacidade de adaptação a circunstâncias adversas, através de sua fé em Cristo.
Veja uma de suas falas na prisão:

“…esquecendo-me das coisas que atrás ficam (…) e avançando para as que estão adiante de mim…”  (Fp 3:13-14)

 

Sabe aqueles momentos que parece que, quanto mais nos esforçamos para fazer a coisa certa, mais fazemos a errada? Quantas vezes já nos pegamos fazendo ou falando algo que nós reprovamos…
Pois bem, o apóstolo Paulo, era humano como nós e passava pelos mesmos conflitos internos, como escreve em sua Carta aos Romanos:

“Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).

Saber de todas essas coisas que, tão honestamente foram relatadas por ele, é muito encorajador e edificante para a fé, pois toda a transformação vivida por ele; de um perseguidor de cristãos a um homem que impactou a Humanidade, através de seu trabalho de evangelismo, nos mostra que é possível acontecer a qualquer pessoa, pois o Jesus que realizou esta obra é O mesmo de hoje e será eternamente!!! (Hb 13:8).

Nos tempos em que vivemos, onde há enorme carência de modelos a serem seguidos, de pessoas para nos espelharmos, a figura do apóstolo Paulo, com seu trabalho e a forma apaixonada com que vivia seu Propósito de vida e amava as pessoas pode ser essa referência como ele mesmo disse:

“Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo” (1 Co 11:1).

Este homem, que perseguia cristãos e consentia na prisão e morte deles, passou a amar tanto o Senhor Jesus que considerou tudo o que possuía e a vida que levou antes de sua conversão como perda e esterco, conforme escreveu em uma de suas Cartas na prisão:

“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo.
E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo” (Fp 3:7-8).

O final do livro de Atos relata a chegada de Paulo a Roma e sua prisão domiciliar por 2 anos, na qual continuou a pregar e ensinar sobre o Reino de Deus (At 28: 16, 30-31).
A tradição cristã relata que foi decapitado, ou seja, Paulo literalmente perdeu a cabeça por amor a Jesus o qual, outrora, tanto perseguia…
Paulo nunca temeu a morte e disse em Atos 21:13, que estava pronto a morrer pelo nome de Jesus.

Em sua segunda Carta a Timóteo, sabendo que estava próximo o momento de sua morte (2Tm 4:6) e consciente de que havia cumprido a missão que lhe foi dada por Cristo, escreveu-lhe:

“Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.
Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Timóteo 4:7-8)

Que exemplo de cristão!!!
Paulo é um grande exemplo da graça salvadora de Jesus; considerava-se o pior dos pecadores (1Tm 1:15) e, por isso, como escreveu aos Romanos, sabia que onde o pecado transbordava, a graça (que é o favor imerecido de Deus) era ainda mais abundante (Rm 5:20).

Mas, e as Cartas de Paulo? você deve estar se perguntando…

 

Pois bem, este texto não tem a pretensão de ensinar ou ser expositivo sobre as Cartas (quem sou eu para fazer isto), mas para falar sobre a importância delas e de seu escritor para, quem sabe, estimulá-lo, querido leitor, a conhecê-los 🙂

As Cartas que citei, no início do texto, foram as escritas na prisão, pois me encantam as palavras de ânimo, alegria, esperança, motivação, fé e gratidão deixadas por Paulo em um tempo que, para muitos, seria gerador de angústia, medo, depressão, ansiedade, desesperança, pânico e tantas coisas mais…

A meu ver, não é necessário cursar faculdades ou qualquer outro curso para compreender as Cartas de Paulo, basta lê-las com o coração aberto, pedindo para o inspirador delas; o Espírito Santo, que o oriente e revele o que for necessário para sua compreensão.

Nem todas as cartas foram escritas por Paulo, algumas eram ditadas (Rm 16:22); ele fazia questão de dizer quando escrevia algo de próprio punho (Fm 1:19, 1Cor 16:21) e outras eram assinadas por ele (Gl 6:11). Isto talvez por alguma questão de saúde ou de visão comprometida (Gl 4:15).

 

As Cartas de Paulo na prisão:

Efésios – Escrita aos que estavam em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus (Ef 1:1).
Nesta carta, entre outras coisas, Paulo ensina que a salvação é pela graça e não por obras, fala sobre o plano da Igreja, explica sobre o mundo e a batalha espiritual, sobre como viver as bênçãos espirituais nos lugares celestiais, ensina-nos a maneira de viver em Cristo, nesta Terra.

Filipenses: Escrita a todos os santos em Cristo, que estavam em Filipos, com os bispos e diáconos (Fp 1:1).
É uma carta de gratidão, amor, fé, esperança, humildade. Paulo não ficava se lamentando sobre suas condições, não parava para reclamar da situação em que se encontrava, mas expressava positividade, estimulava e encorajava a alegria e orientava sobre como lidar com a ansiedade, como nestas passagens:
“Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos” (Fp 4:4).
“Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças.
E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos pensamentos em Cristo Jesus” (Fp 4:6-7)
Também ensina padrões práticos para a vida cristã e como conhecer o Propósito de Deus para nossa vida.

Colossenses: Escrita aos santos e irmãos fiéis em Cristo que estavam em Colossos (Cl 1:1)
Nesta carta, Paulo escreve sobre a divindade de Cristo, autor da nossa redenção e Criador de todas as coisas.
Fala sobre seu Propósito de vida, como viver em Cristo, bem como adverte acerca das falsas doutrinas, exorta à santidade, oração e sabedoria e explana sobre os deveres domésticos.

Filemon: Escrita a Filemon, um cooperador da obra, a Áfia e a Arquipo, bem como à igreja que estava na casa dele (Fm 1:1-2)
Nesta breve carta, Paulo relata a experiência de ter estado preso com Onésimo, um escravo de Filemon, bem como a conversão do mesmo. Paulo se refere a este escravo convertido como seu “filho gerado na prisão” (Fm 1:10) e intercede por ele, para que Filemon o perdoe e o receba como se fosse a ele próprio.
É uma carta que nos ensina, de forma prática, a lidar com situações de relacionamento interpessoal.

Como bem se vê, Paulo não perdia nenhuma oportunidade de espalhar o amor de Jesus e fazer o bem; nem mesmo em situações de prisões, cadeias, sofrimento e dor, por isso, as suas cartas na prisão me comovem tanto…

Paulo é para mim e para tantos ao redor do mundo, um modelo de resiliência e de inspiração para viver em Cristo e trabalhar pelo Evangelho.

 

E você, querido leitor, inspirou-se com o exemplo de Paulo?
Já conhecia as suas cartas?

Gostaria de encorajá-lo a ler as cartas de Paulo e a meditar em sua postura diante das adversidades, bem como em seu amor e zelo pelas almas e pela sua missão…, tenho certeza de que aprenderá muito com ele, como eu aprendo a cada dia!!!
Não deixe que os tesouros contidos nessas cartas parem em você, encaminhe-as para outras pessoas e, assim, a mensagem de amor de Cristo continuará a espalhar-se 🙂

 

Compartilhe com quem você ama, deixe seus comentários, vou amar lê-los 🙂

Deus abençoe!!!


Fonte: Bíblia Sagrada – versão Almeida Revista e Corrigida

 

Compartilhe:

 

Tags:

, , , , , , , , , ,